Engenharia em favor da Sustentabilidade Ambiental, Econômica e Social.

Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)

Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)

NOME CIENTÍFICO: Chrysocyon brachyurus Illiger, 1815
FILO: Chordata
CLASSE: Mammalia
ORDEM: Carnivora
FAMÍLIA: Canidae

STATUS DE AMEAÇA: Ameaçada

 

INFORMAÇÕES GERAIS:

Chrysocyon brachyurus é uma espécie de pernas longas, pelagem longa de cor laranja-avermelhado e orelhas grandes. Possui uma crina negra no dorso, mesma cor do focinho, das patas dianteiras e de mais da metade distal das patas traseiras. A garganta e a parte interna das orelhas são brancas. Cerca de 44% do comprimento da cauda tem cor branca (parte distal), mas a proporção varia entre indivíduos (Rodden et al., 2004).

 

Lobos-guará habitam, preferencialmente, habitats abertos, como campos, cerrados e veredas e campos úmidos (Rodden et al., 2004). Apesar de ser uma espécie relacionada ao bioma Cerrado, possui registros esporádicos em áreas do Pantanal e de transição do Cerrado com a Caatinga. Sua habilidade em estabelecer-se em diversos habitats tem resultado em registros cada vez mais comuns em áreas outrora ocupadas por Mata Atlântica e hoje transformadas em habitats mais abertos.

 

Embora não existam muitas informações quanto à tolerância a áreas alteradas, o lobo-guará também tem sido visto com maior freqüência, nos últimos anos, em terras cultivadas para agricultura e pastagens. Áreas agrícolas de cana-de-açúcar, soja, milho e café, bem como pastagens e campos antrópicos abandonados, podem ser utilizadas tanto para forragear quanto para descansar (Santos, 1999; Mantovani, 2001; Rodrigues, 2002; Rodrigues et al., dados não publicados), mas em menor proporção do que em áreas preservadas, de qualidade ambiental superior (Paula, dados não publicados). Chrysocyon brachyurus é uma espécie de hábito solitário, cujos indivíduos se juntam em casais apenas na época reprodutiva.

 

DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA:

Originalmente, a espécie se distribuía amplamente nas áreas de vegetação aberta do Cerrado, Chaco e Pampa. Atualmente, a distribuição sofreu reduções na porção sul da distribuição. No Rio Grande do Sul, a outrora ampla distribuição é agora residual, sendo confirmada apenas no sul do Estado, divisa com o Uruguai, e na região dos campos de cima da serra (F. Michalski, com. pess.; Indrusiak & Eizirik, 2003). No restante, a redução foi menos drástica e a espécie ainda ocorre na maior parte de sua área original. Por outro lado, a distribuição a leste (Estados de SP, MG, ES e RJ) tem-se expandido em regiões originalmente ocupadas pela Mata Atlântica e que, com o desmatamento das florestas, se tornaram áreas abertas e capoeiras, ambienta mais apropriado para a ocorrência do lobo-guará (Dietz, 1984, 1985; Moreira et al., em prep.). Na região do Pantanal, o lobo-guará é comum nas partes altas da bacia do alto Paraguai, mas é raro na planície pantaneira (Coutinho et al., 1997; Rodrigues et al., 2002). Países de ocorrência: Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai, Peru e Uruguai.

 

PRINCIPAIS AMEAÇAS:

Atualmente, o crescimento desordenado de centros urbanos e a consequente perda de hábitat tem resultado em processos negativos à conservação da espécie, mesmo que ela seja mais tolerante a algumas atividades antrópicas, como a agricultura (Paula, dados não publicados). A drástica redução de ambientes ideais para a manutenção de populações tem sido apontada como fator principal de ameaça, ainda mais potencializado quando se observa que grande parte da área de ocorrência da espécie já está convertida em campos agricultáveis e em campos destinados à pecuária. Verifica-se assim, grande número de animais vítimas de atropelamentos, na maioria jovens. Em algumas regiões, estima-se que os atropelamentos sejam responsáveis pela morte de 1/3 à metade da população anual de filhotes (Rodrigues, 2002).

Pesquisar no site