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Jaguatirica (Leopardus pardalis mitis)

Jaguatirica (Leopardus pardalis mitis)

NOME CIENTÍFICO: Leopardus pardalis mitis (Linnaeus, 1758)

FILO: Chordata

CLASSE: Mammalia

ORDEM: Carnivora

FAMÍLIA: Felidae

STATUS DE AMEAÇA: Ameaçada

 

INFORMAÇÕES GERAIS

Leopardus pardalis mitis, como as demais espécies de L. pardalis, é um táxon de porte médio, com corpo esbelto, cabeça e patas grandes e cauda relativamente curta, caracterizada pela presença de rosetas abertas que coalescem, formando bandas longitudinais, numa pelagem de fundo amarelo-ocráceo. O comprimento médio da cabeça e do corpo é de 77,3 cm, variando entre 67 e 101,5 cm, enquanto da cauda é de 35,4 cm (30 a 44,5 cm) e o peso médio fica em torno de 11 kg (8 a 15,1 kg). O período de gestação varia entre 70 e 85 dias, após o qual nascem de um a quatro filhotes (Oliveira & Cassaro, 2005). Considerando que o potencial reprodutivo máximo de uma fêmea de sete anos, em vida livre, é de cinco a sete filhotes e que poucos exemplares conseguiriam alcançá-lo, supõe-se que a jaguatirica tenha capacidade de recuperação bem mais lenta do que felinos equivalentes de outras regiões zoogeográficas (Oliveira, 1994). A espécie apresenta importante flexibilidade ecológica, ocorrendo em grande variedade de habitats, desde as áreas secas do Chaparral do Texas, Caatinga do Brasil e Chaco paraguaio, até as florestas tropicais e subtropicais, tanto em áreas primitivas quanto alteradas. A jaguatirica tende a ser a espécie de felino de pequeno-médio porte dominante nas áreas de cobertura vegetal mais densa, especialmente nas úmidas. O gradiente altitudinal vai desde o nível do mar até 3.800 m (Oliveira,1994, obs. pess., Sunquist & Sunquist, 2002). Os hábitos dão solitários, sendo o período de atividade predominantemente noturno (de 72 a 92%). A área de vida é bastante variável, em função da disponibilidade de recursos entre entre as áreas e os sexos. Nas fêmeas, varia entre 0,8 e 15 km2 e nos machos fica entre 3,5 e 43 km2. A área do macho engloba, normalmente, a área de duas a três fêmeas (Oliveira, 1994; Crawshaw, 1995; Murray & Gardner, 1997; Jacob, 2002; Sunquist & Sunquist, 2002). A dieta também é bastante variada. Apesar de, na média geral, ser constituída primariamente de pequenos roedores do porte de ratazanas (53%), também inclui mamíferos de médio porte (22,5%), como cutias (Dasyprocta spp.), tatus (Dasypus spp.) e macacos (bugios – Alouatta spp.), répteis/anfíbios (12,7%), aves (9,13%) e, em menor escala, mamíferos de grande porte (1,4%), crustáceos (1,5%) e peixes (0,24%) - proporções médias para 12 áreas de estudo (Murray & Gardner, 1997; Bianchi, 2001, Oliveira in press, a). O consumo médio de presas na natureza é de cerca de 700 g (Oliveira, 1994).

 

DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

A distribuição geográfica original de L. pardalis incluía os Estados da Louisiana, Arkansas e Arizona, nos Estados Unidos, estendendo-se pelo México, toda a América Central, leste dos Andes até o Equador e a oeste até a província de Entre Rios, no norte da Argentina, e porção central do Rio Grande do Sul (Oliveira, 1994; Murray & Gardner, 1997). A espécie ocorre fora da bacia amazônica no Brasil, estendendo-se até o norte argentino (Murray & Gardner, 1997). A distribuição atual de L. pardalis é semelhante à original, tendo porém desaparecido dos Estados de Arkansas, Louisiana e Arizona, nos Estados Unidos, bem como de algumas regiões do México, América Central e América do Sul. Algumas populações de L. p. mitis são encontradas no Brasil fora da bacia amazônica até o limite sul da distribuição. Algumas populações encontradas no Nordeste, Sul e Sudeste já desapareceram, enquanto outras se encontram isoladas.

 

PRINCIPAIS AMEAÇAS

A principal ameaça a esta espécie é o desmatamento e a consequente fragmentação das áreas florestadas, assim como a destruição/alteração da cobertura vegetal. Outro fator de ameaça é a caça, por motivos de eliminação de predador potencial às criações domésticas (mais precisamente de aves), bem como por motivos esportivos ocasionais, assim como a apanha, tanto para o tráfico quanto para manutenção local como animal de estimação. Além disso, a jaguatirica sofre com a perda de presas, o que afeta diretamente as suas populações, já que a redução de alimento disponível diminui a densidade das populações existentes. As Unidades de Conservação no Brasil não são suficientes para a manutenção de populações mínimas e viáveis em longo prazo, especialmente fora da bacia Amazônica, área de ocorrência da subespécie ameaçada.

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