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O PÁSSARO CATIVO

05/01/2012 11:50

Olavo Bilac 

Armas, num galho de árvore, o alçapão. 
E, em breve, uma avezinha descuidada, batendo as asas cai na escravidão. 

Dás-lhe então, por esplêndida morada, a gaiola dourada. 
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo. 

Por que é que, tendo tudo, há de ficar o passarinho 
mudo, arrepiado e triste, sem cantar? 

É que, criança, os pássaros não falam. 
Só gorgeando a sua dor exalam, sem que os homens os possam entender. 
Se os pássaros falassem, 
talvez os teus ouvidos escutassem este cativo pássaro dizer: 

"Não quero o teu alpiste! 
Gosto mais do alimento que procuro na mata livre em que a voar me viste. 
Tenho água fresca num recanto escuro. 
Da selva em que nasci; da mata entre os verdores, 
tenho frutos e flores, sem precisar de ti! 

Não quero a tua esplêndida gaiola! 
Pois nenhuma riqueza me consola de haver perdido aquilo que perdi... 
Prefiro o ninho humilde, construído de folhas secas, plácido, e escondido. 

Entre os galhos das árvores amigas... 
Solta-me ao vento e ao sol! 
Com que direito à escravidão me obrigas? 

Quero saudar as pompas do arrebol! 
Quero, ao cair da tarde, entoar minhas tristíssimas cantigas! 

Por que me prendes? Solta-me, covarde! 
Deus me deu por gaiola a imensidade! 
Não me roubes a minha liberdade... 
QUERO VOAR! VOAR!..." 

Estas coisas o pássaro diria, se pudesse falar. 
E a tua alma, criança, tremeria, vendo tanta aflição. 
E a tua mão, tremendo, lhe abriria a porta da prisão 

 

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