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"Água Preta" continua sendo liberada em Cataguases 8 anos após um dos maiores desastres ambientais do Brasil

28/05/2011 17:14

   

    Após um dos maiores desastres ambientais do Brasil, que ocorreu em 2003, quando uma barragem de resíduos rompeu na cidade mineira de Cataguases, a "água preta" (lixívia) continua sendo lançada nas águas do Ribeirão do Cágado e do Rio Pomba, desta vez de forma consciente por parte da empresa.

    A água contendo hidróxido de sódio (NaOH) e lignina está sendo lançada diretamente no próprio Ribeirão do Cágado, deixando suas águas com coloração preta pela quantidade de resíduos liberados, e também está sendo liberada diretamente no Rio Pomba, por meio de uma tubulação que percorre toda a extensão do Ribeirão do Cágado. A tubulação foi colocada lá, segundo os produtores locais, com o propósito de lançar lixívia para o Rio Pomba, porém essa informação ainda não está confirmada.

    De acordo com Angelina Maria Lanna de Moraes (FEAM), em sua publicação "Estudo de Caso: O Acidente de Cataguases/MG", para o 2° Simpósio Brasileiro de Desastres Naturais e Tecnológicos, ocorrido em Dezembro de 2007, após o estudo dos impactos gerados pelo acidente foi assinado em 09/05/2003, o Termo de Ajustamento de Conduta Ambiental (TAC) entre o Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual-MG e IBERPAR Empreendimentos e Participações, com o objetivo de:

 

    " - Desativação dos reservatórios , com a retirada e destinação adequada de todos os resíduos industriais. Prazo: 2 anos.

      - Apresentação à FEAM de projeto executivo das medidas emergenciais de estabilidade das barragens e da desativação das mesmas.

      - Monitoramento das águas superficiais (Ribeirão do Cágado, Rio Pomba e Paraíba do Sul) , águas subterrâneas e sedimento de fundo dos rios. IGAM, ANA, FEAM."

 

   Conforme o documento supracitado, foram propostas também as seguintes medidas:

 

      "- Inicialmente tratamento físico-químico e biológico da lixívia remanescente nos reservatórios (450.000 m3 em 2004 segundo a batimetria). Essa proposta foi descartada por três motivos: custo de implantação, de operação e transferência do material para a ETE localizada a 11 km.

      - Tratamento biológico (implementado, mas sem resultados - inoculação de microorganismos no lago).

      - Aplicação no solo – avaliação pela UFV, UNESP E ESALC – foi consensual a aplicação controlada em plantação de eucalipto da própria fazenda (diagnóstico do solo e água subterrânea na área pela UFV foi elaborado com critérios científicos e está sendo lançado no período seco)."

   

    Dessa forma, a lixívia não deveria estar sendo liberada no Ribeirão do Cágado de maneira a não manter satisfatórias as qualidades químicas, físicas, biológicas e visuais do referido Ribeirão. Com isso, oito anos após o acidente e passado o prazo final para destinação adequada dos resíduos, vemos o Ribeirão do Cágado com a "cara" da data do referido acidente, como pode ser constatado pelas fotos tiradas em Abril deste ano e também em 2010.

 

Foto 1: Encontro da Lixívia com a água "normal" no Ribeirão do Cágado. Foto: Ignácio, Wagner, 2011.

 

Foto 2: Detalhe do "Encontro das Águas" lembrando até mesmo o encontro entre os Rios Negro e Solimões no Amazonas. Foto: Ignácio, Wagner, 2011.

 

Foto 3: Pequena Barragem no Ribeirão do Cágado. Foto: Ignácio, Wagner, 2011.

 

Foto 4: Foto a jusante da Barragem no Ribeirão do Cágado. Foto: Ignácio, Wagner, 2011.

 

Foto 5: Encontro entre as águas do Ribeirão do Cágado e do Rio Pomba. Foto: Ignácio, Wagner, 2011.

 

Foto 6: Encanamento que, segundo relatos locais, estaria levando lixívia diretamente às águas do Pomba. Foto: Ignácio, Wagner, 2011.

 

 Foto 7: Encanamento que vem do Ribeirão do Cágado e finaliza no Rio Pomba. Foto: CARLIMPESCADOR, 2010.

 

Para esclarecimentos sobre o acidente, leia o Artigo "Antagonismos no Desastre Ambiental em Cataguases".

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